Nasci em 1971. Gosto muito desta década. Com certeza herdei muita coisa dela.

Esse meu jeitinho doce e despojado de ser tem tudo a ver com o movimento Hippie. Sempre fui muito ativa e a vida em família facilitava muito isso.

Meu tio gostava muito de ouvir Bee Gees comigo e eu me apaixonei por cinema. Assisti clássicos como OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE e HAIR, ao lembrar disso fico emocionada, pois são os filmes que mais gosto.

Minha capacidade de comunicação sempre foi espantosa. Assistia os telejornais com o mesmo entusiasmo que assistia JEANNIE É UM GÊNIO!

Eu me relacionava muito bem com outras crianças, sempre fui muito, digamos, sociável. Mas o que eu mais gostava mesmo era de ficar conversando com meu pai sobre uma tal “Revolução de 64”. Queria saber e ler tudo sobre isso, meu pai viveu a época e acabei tendo vontade de ter nascido antes.

Minha mãe é que sempre gostou muito de novelas, ela parece ser uma daquelas atrizes da década de 50, uns olhos azuis lindos. Sempre me pergunto porque não herdei isso dela.

Quando tinha 13 anos tomei um grande susto com baratas escondidas em um vestido e nunca mais perdi o horror a esses bichinhos nojentos, só de lembrar... Socorro!!!!!

Cresci me acostumando a ouvir rádio AM, meu pai era fascinado, deu pra perceber que curto meu pai pra caramba, né?

Mas isso durou pouco, logo LED ZEPPELIN e BLACK SABBATH apareceram na minha vida e passei a viver num estilo mais rua... assim eu entrei na trilogia maléfica, que vocês devem saber qual é.

Eu custei esperar os meus dezoito anos. Além de poder entrar em todos os lugares que tivesse vontade ainda pude fazer a minha plástica no nariz. Agora ninguém mais me chama de Bruxa.

Demorei muito pra começar a trabalhar, então, a televisão era minha companheira mais fiel. Acordava ligava a TV e assistia TV MULHER ainda com a Marília Gabriela e Ala Szerman. Sempre me interessei por estética, ser bonita não é muito fácil e desde pequena percebi que, nós mulheres, precisamos de cuidados especiais.

Tinha um interesse estranho por notícias sobre brigas e acidentes. Não só na TV. Minha avó vivia reclamando porque sempre que eu ia visitá-la e encontrava vizinhos brigando na casa ao lado eu subia no muro e ficava incentivando a briga.

Década de 80, eu queria mais era saber de shows fora da cidade. Uberlândia sempre me estresssou muito, gosto de gente, multidão, movimento... Ia a todos os encontros dos Metaleiros e shows de Rock na Praça da Prefeitura.

Escola? Ah, nunca fui muito chegada, não. Os professores geralmente são muito chatos e às vezes a minha hiperatividade não me permitia ficar em sala de aula.

Quando completei 27 anos decidi que iria estudar Jornalismo. Minha tia Lau queria muito fazer esse curso, acabou fazendo Química e hoje não é muito feliz. Fiquei muito empolgada com tudo que ela falou sobre a profissão.

Além disso a família toda percebia o quanto eu me comunicava bem. Eu sempre sabia de tudo antes de todos, dava as notícias em primeira mão, contava as fofocas das novelas... e dos vizinhos.

Ah, estava lembrando de Jeannie, aconteceu algo muito engraçado comigo uma vez. Além de assistir ao seriado tinha que me vestir como ela. Saí andando pela casa perguntado a todos como eu estava. Subi na cadeira pra chamar a atenção, dei umas saltadinhas e fui fazer o gesto característico da geninha. Não percebi mas estava muito próxima da parede... bati com a cabeça na mesma... desde então me contentei apenas em assistir ao programa.

Desde tempo pra cá acho que não cresci muito. Vivem me chamando de Bebê e não sei por que.

Lembro que gostava muito também da Vila Sésamo, mas não peguei muito dessa época, não.

Um dia quero ir pra Itália conhecer a terra dos meus avós. Me mostraram muitos documentários e fiquei apaixonada pelo lugar. Pra mim, a comunicação serve pra esse tipo de coisa mesmo, aproximar as pessoas e colocar perto de onde quererm ir sem alienar. Mostrar perspectivas e motivações diferentes.

O que aconteceu pelo meu interesse pelo Militarismo? Continuou a crescer. Já me chamaram de autoritária e tudo mais porque nas reuniões das crianças do colégio que aconteciam no intervalo, eu sempre escolhia o que íamos ver e ouvir. As outras crianças queriam ver coisas muito bobas, tipo, Clube da Criança. Eu preferia os documentários e telejornais.

Ah, eu fazia também uma versão feminina do Chacrinha. Ninguém ia pro trono e todo mundo levava bacalhau. Às vezes ainda me pergunto se eu fui uma criança, assim, não diria má, mas um pouco injusta com as outras...

Deve ser o espírito dos anos setenta, eu deveria ter nascido antes, bem antes... sei lá, ainda não me conformo até hoje por não estar presente no Woodstock em 69. eu tinha que estar lá...

Bem, mas nem toda vida é perfeita, nem mesmo a minha.

 




Escrito por Erika às 14h23
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